- Cap. 01 - Vol 01

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Um ataque que não pode ser esquivado nem bloqueado, garantindo assim a morte.

Se você atender a essas condições em uma única etapa, em um único feitiço, obterá o que é chamado de “spellblade.”[1]

— Lanoff Evarts,
Fundador da Academia Lanoff de Artes da Espada

Prólogo

Há muito tempo, alguém disse: "Quanto mais brilhantes as estrelas, mais escura a noite".

Já fazia algum tempo desde a última vez que ela tinha visto uma lua nova, o que a fez se lembrar dessa citação.

É claro que ela não era tão convencida a ponto de se considerar uma "estrela" em qualquer sentido da palavra. Aqueles que a conheceram, no entanto, certamente a considerariam uma. Ela vinha totalmente preparada para cada caçada, não importando se seu alvo era um humano ou um animal. Mesmo que ela fosse caçar uma estrela, seus preparativos envergonhariam todas as caçadas anteriores.

E foi com esse mesmo nível de preparação que seus perseguidores a perseguiram esta noite. Eles pareciam totalmente confiantes em sua vitória, o que a levou a pensar: "Entendo, essas pessoas poderiam apagar até mesmo uma estrela."

— Kh...!

Enquanto ela corria por entre as árvores, com a sede de sangue correndo em direção a ela, garras gigantes apareceram da escuridão, cortando tudo em seu caminho. Ela se virou instantaneamente e sacou seu Athame[2] para bloquear, mas não conseguiu redirecionar o golpe e acabou sendo arremessada. Conforme seus pés saíam do chão, criando uma abertura, outro par de garras a atingiu em um ataque subsequente.

— Haaaah!

Com um passo firme no ar, ela contra-atacou com as duas lâminas em suas mãos, atingindo a garra gigante antes que ela conseguisse atacar sua presa. No instante em que os ataques foram interrompidos, ela aterrissou no chão e partiu para a ofensiva.

— ...?!

A névoa negra avançou, interrompendo-a. Um calafrio a dominou e ela deu um pulo para trás antes mesmo de seus olhos perceberem qualquer coisa. Porém, ela foi lenta demais, e a névoa atingiu de raspão seu ombro esquerdo. Um arrepio desagradável percorreu todo o seu corpo, fazendo com que todos os seus cabelos ficassem em pé. Mas ela não tinha tempo para pensar nisso agora.

— Fortis flamma maxime!

O carmesim caiu do céu como grandes ondas nascidas de um mar de fogo, transformando instantaneamente as árvores ao redor em cinzas devido ao calor intenso e indo em direção a ela. A garota preparou os athames com as duas mãos e girou as duas lâminas, fazendo as chamas girarem, espalhando-as e desviando uma parte da onda de calor. O chão se tornou um caldeirão fervente de lava sob o fogo. Apenas o chão abaixo dela estava intacto, deixando-a em uma pequena ilha.

— Estou impressionado que você tenha sobrevivido. Mas nós dois sabemos que é inútil resistir.

Era a voz de um homem, com um tom de sarcasmo. A garota olhou para o céu noturno, que agora estava intensamente iluminado por uma luz sutil—havia uma lua enorme em uma noite que deveria ser sem lua. É claro que esse não era um corpo celestial.[3] Era uma bola de luz criada por magia, um feitiço básico que até uma criança poderia lançar se estudasse o bastante. Ela não conseguia parar de tremer. Qualquer pessoa capaz de transformar um simples feitiço de iluminação em uma lua temporária deve possuir um enorme poder.

Seis sombras apareceram no céu, iluminadas pela lua falsa. Uma delas estava em cima de uma árvore especialmente alta, enquanto outra estava sentada em uma vassoura. Uma estava até mesmo descansando no ombro de um gigante misterioso. Todos os caçadores de estrelas olharam para ela de seus lugares.

— …!

De repente, seu ombro esquerdo começou a coçar incontrolavelmente no ponto em que a névoa negra a havia atingido, e ela nem teve tempo de reagir antes que o som de uma risada estridente surgisse de dentro de suas roupas. Mordendo o tecido, apareceu um rosto humano horrivelmente distorcido, do tamanho do punho de uma criança.

Sem hesitar, ela cortou o rosto que havia surgido em seu corpo, juntamente com uma parte do ombro. A massa de carne caiu no chão com um som úmido. Uma das sombras que estava observando lamentou:

— Ahhh, como você é cruel me cortando! Estou solitária, muito solitária! Vamos nos tornar uma só!

Sua voz era trêmula, como a de uma ovelha com a traqueia esmagada. A sombra parecia ser uma garota jovem, mas também uma mulher idosa, chorando, mas também rindo. Talvez ela tenha abandonado essas distinções há muito tempo. Não era mais do que os sussurros perturbados de um espírito maligno, que se agarrava à essência da fala humana.

— Então você é a usuária daquela magia, não é? Deve ser uma verdadeira honra, sua bruxa velha.

A voz era feminina e repleta de hostilidade. Contra a luz pálida, havia uma estranha silhueta que claramente não era humana, especialmente dos ombros para cima. Seus braços cresceram de forma bizarra, com cinco articulações em cada um e garras gigantes, afiadas como lâminas endurecidas, fundidas aos seus dedos. Até mesmo a parte que havia sido cortada na batalha anterior estava voltando a crescer bem diante dos olhos da garota.

— ......

A sombra ignorou a provocação, permanecendo em silêncio enquanto segurava seu cajado no alto. Aquela grande quantidade de mana parecia estar sendo utilizada para manter aquela bola de luz flutuando. A luz que os encobria tornava impossível ver seu rosto, mas, a julgar pela forma como se mantinham retos como um graveto, ela podia dizer que se tratava de um indivíduo severo.

— Pode tentar se quiser! Kya-ha-ha-ha-ha-ha-ha-ha!

A risada insana vinha da voz de um homem idoso, mas era tingida de uma inocência infantil. A criatura gigante na qual a pequena sombra estava sentada rangeu ao se levantar, ficando muito acima do chão. Ele estendeu as duas mãos enormes na direção da garota, como uma criança tentando pegar um pequeno gafanhoto.

— Gladio!

Ela atacou diretamente as palmas das mãos dele, no momento em que se aproximavam dela. Inúmeros pedaços de terra, imobilizados, caíram no chão. Em seguida, a garota pulou rapidamente no que agora era apenas um tronco longo e correu para cima dele. Seus olhos se fixaram em seu inimigo e—

— ◼◼◼ — Parou.

Seu corpo congelou. Isso não foi uma maldição. Ela estava presa a algo muito mais primitivo. Outra sombra apareceu, e ela a encarou em choque.

— Bom trabalho ao capturá-la, velhote. É melhor se preparar, isso vai doer!

A sombra inumana fechou a distância entre eles em um instante. Ele jogou suas garras gigantes contra ela com uma força considerável, cravando o punho diretamente em sua presa sem hesitação. Com um baque forte, a carne e os ossos da garota foram esmagados—incapaz de resistir, ela foi jogada no chão.

— Gahhhhhhh! Isso doeu, merda!

Mas isso também não significava que ela fosse ficar parada e aceitar. A sombra inumana gritou quando seu braço direito, que fora cortado de seu ombro, caiu em pedaços. Uma pequena lembrança da batalha anterior.

— …! Haaah!

Ela saltou chutando o ar para evitar cair na poça de lava. Ao atingir o chão, ela rolou para diminuir os danos. Felizmente, ela conseguiu salvar sua própria vida, mas os ferimentos que sofreu foram extremamente graves. Todas as suas articulações tremiam e sua visão estava manchada de vermelho pelo sangue que escorria de seus olhos. Seu ombro ainda estava sangrando do corte que ela havia feito, sem mencionar os vários outros ferimentos em todo o corpo. Ela estava muito angustiada. Apesar disso, ela sorriu. O fato de ela ainda estar viva era quase como uma piada.

Ela sabia que, sendo seis contra um, não teria nenhuma chance de vitória. Até mesmo suas esperanças de reduzir as perdas e escapar eram muito pequenas. No entanto, desistir nunca passou pela sua cabeça. Ela já havia passado por inúmeras batalhas difíceis em seu tempo como maga. Esta era apenas um pouco mais difícil do que as outras—só isso.

— Ahhhhh!

Mas, acima de tudo, ela tinha decidido fazer com que a sua vida não fosse mais vivida dessa maneira. Tudo o que ela deixasse de fazer seria cobrado das gerações futuras. Essa determinação lhe deu força, e seus joelhos se recusaram a ceder. A mana surgiu dentro dela, correndo em suas veias e despertando seu corpo devastado.

— Por aqui!

Uma voz familiar chegou a seus ouvidos quando um clarão brilhante atravessou o campo de batalha. A luz mágica brilhante atravessou a escuridão da noite, tornando sua visão branca—naquele breve momento, enquanto todos ainda estavam confusos, alguém agarrou sua mão e começou a correr.

Elas correram pela floresta escura por um tempo até que um buraco no chão aparecesse na frente delas. As duas pularam e continuaram, sem tropeçar nem por um segundo. O caminho se dividia em várias ramificações. Quando finalmente não sentiram mais os caçadores as perseguindo, elas pararam.

— ......Você... me salvou. Nunca esperei que fosse escapar daquele inferno, — disse ela, com a respiração pesada, enquanto olhava ao redor. Elas estavam nas profundezas de uma caverna, mas graças às lâmpadas de cristal que estavam espalhadas pelas paredes, havia bastante luz. Alguém havia preparado isso com antecedência. — Eles não nos seguiram... o que significa que você conseguiu manter este lugar escondido deles. Você criou essa rota de fuga? Impressionante... Por... quê?

No momento em que ela começou a agradecer, um calor intenso atravessou suas costas.

— Emmy...?

A garota chamou o nome de sua companheira, com a voz estremecida. Atordoada, ela olhou para seu peito e viu a ponta de uma lâmina saindo dele—um athame, encharcado de sangue por ter perfurado seu coração.

— Me desculpe... Essa era minha única opção... — disse uma voz chorosa vinda de trás dela. De repente, ela entendeu tudo. Não havia apenas seis caçadores de estrelas querendo matá-la. O papel dessa garota era dar o golpe final. — Mas não se preocupe-não deixarei que eles tenham nem mesmo um pedaço de sua alma.

À medida que a força se esvaiu de seu corpo, ela caiu de volta em um abraço gentil. Mesmo tendo sido esfaqueada, ela ainda podia sentir o amor genuíno da traidora. Por isso, ela não havia suspeitado de nada até agora.

— Eu sempre te amei. Agora ficaremos juntas para sempre.

Os olhos da garota eram um grande abismo, cheios de uma escuridão sem fim que envergonhava até mesmo o céu escuro como breu lá fora. À medida que sua consciência se dissipava, ela podia sentir sua alma sendo engolida por aquele vazio.



Notas

[1] Decidi deixar em inglês por que na tradução não ficaria bom, e acho que poderia até acabar confundindo sobre o feitiço, na tradução seria algo como "lâmina mágica", assim daria a impressão de que seria uma espada feita com magia, mas "spellblade" pode se referir ao quão mortal essas magias são.

[2] Athame é basicamente um punhal cerimonial, usado em várias vertentes mágicas, como por exemplo, na bruxaria. É utilizado para traçar os Círculos Mágicos e coisas do tipo.

[3] Aqui está se referindo a um objeto astrônomico. Exemplos de objetos astrônomicos são: sistema planetários, aglomerado de estrelas, nebulosas e galáxias.

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